O que é norma culta
LINGUÍSTICA
Norma (termo de Eugenio Coseriu) O termo 'norma' foi conceituado por Eugenio Coseiu correspondendo às variantes linguísticas de uma língua. A norma é comum a um determinado grupo social ou regional. Para Coseriu, a língua é um sistema funcional, isto é, um sistema articulado com suas normas, significando com suas variantes linguísticas. Dessa forma, a língua abrange: sistema funcional e normas. Norma culta ou Norma Padrão É o padrão estabelecido para redação de documentos, artigos jornalísticos, acadêmicos, judiciais, científicos, etc. Por essa razão há a necessidade de domínio dessa modalidade de norma, sem a qual fica impossível o acesso a documentos e assuntos importantes. No entanto, deve-se reconhecer que essa norma é apenas uma variedade – a variedade padrão, e que isso não invalida as demais variedades ditas 'não padrão' - gramaticalmente todas têm o mesmo valor. No Brasil há variadíssimas formas de fugir à norma culta, mesmo dentro da classe que domina a norma padrão. Há formas popularizadas que já passaram para o domínio da língua. Samba do Arnesto
O compositor Adoniran Barbosa usava a norma popular da língua portuguesa em suas canções. Veja a letra completa do Samba do Arnesto. “Menas: o certo do errado e o errado do certo” A ideia é provocadora e reflete um debate bem atual. Em cartaz desde 16 de março no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, a exposição "Menas: o certo do errado, o errado do certo", tem a proposta manifesta de homenagear a variante popular do idioma no Brasil. A exposição, que fica no museu até 27 de junho, começa na estação de metrô Luz, onde cerca de trinta banners trazem frases com os chamados tropeços comuns no português falado no Brasil, de "A nível de língua, ninguém sabe tudo" a "Ele vai vim para a festa". O objetivo é fazer o visitante refletir sobre a normatização na língua, antes mesmo de chegar às dependências do museu. Lá dentro, sete instalações convidam o visitante a lidar sem preconceito com as formas em uso no português brasileiro. O próprio título da mostra soa como provocação, brincando com a variante do advérbio "menos", por princípio invariável. “A exposição, de maneira divertida, mostra por que saímos do padrão culto muitas vezes sem nos darmos conta”, explica Antonio Carlos de Moraes Sartini, diretor do museu. Segundo Sartini, o objetivo é mostrar que os brasileiros "não falamos nem mais nem menos fora do padrão culto que italianos, americanos e franceses", e todo idioma tem variações que são usadas em certas situações e para diferentes públicos. [Revista Língua] Pertinente, adequado e necessário (...) Darwin nunca disse em nenhum lugar de seus escritos que “o homem vem do macaco”. Ele disse, sim, que humanos e demais primatas deviam ter se originado de um ancestral comum.(...) Da mesma forma, nenhum linguista sério, brasileiro ou estrangeiro, jamais disse ou escreveu que os estudantes usuários de variedades linguísticas mais distantes das normas urbanas de prestígio deveriam permanecer ali, fechados em sua comunidade, em sua cultura e em sua língua. O que esses profissionais vêm tentando fazer as pessoas entenderem é que defender uma coisa não significa automaticamente combater a outra. Defender o respeito à variedade linguística dos estudantes não significa que não cabe à escola introduzi-los ao mundo da cultura letrada e aos discursos que ela aciona. Cabe à escola ensinar aos alunos o que eles não sabem! Parece óbvio, mas é preciso repetir isso a todo momento. Não é preciso ensinar nenhum brasileiro a dizer “isso é para mim tomar?”, porque essa regra gramatical (sim, caros leigos, é uma regra gramatical) já faz parte da língua materna de 99% dos nossos compatriotas. O que é preciso ensinar é a forma “isso é para eu tomar?”, porque ela não faz parte da gramática da maioria dos falantes de português brasileiro, mas por ainda servir de arame farpado entre os que falam “certo” e os que falam “errado”, é dever da escola apresentar essa outra regra aos alunos, de modo que eles - se julgarem pertinente, adequado e necessário - possam vir a usá-la. [Marcos Bagno, escritor e lingüista, na revista Carta Capital] Mestiçagens da língua Quando em 1727 o rei de Portugal proibiu que no Brasil se falasse a língua brasileira, a chamada língua geral, o nheengatu, é que começou a disseminação forçada do português como língua do País, uma língua estrangeira. O português formal só lentamente foi se impondo ao falar e escrever dos brasileiros, como língua de domínio colonial, tendo sido até então apenas língua de repartição pública. A discrepância entre a língua escrita e a língua falada é entre nós consequência histórica dessa imposição, veto aos perigos políticos de uma língua potencialmente nacional, imenso risco para a dominação portuguesa. [José de Souza Martins, cientista social, professor emérito da Universidade de São Paulo, em O Estado de S. Paulo] Observações Seu texto deve ser escrito na norma culta da língua portuguesa; Deve ter uma estrutura dissertativa-argumentativa; Não deve estar redigido sob a forma de poema (versos) ou narração; A redação deve ter no mínimo 15 e no máximo 30 linhas escritas; Não deixe de dar um titulo à sua redação. Envie seu texto até 25 de julho de 2011. Confira as redações avaliadas a partir de 1 de agosto de 2011. Elaboração da proposta Sueli de Britto Salles Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

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